Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Festa do Pinheiro

Pinheiro

O Pinheiro…
É aquela noite de Novembro,

Que parece não ter fim!
Que marca os encontros e reencontros;
Para os abraços e beijinhos
E para as conversas até de madrugada.

São as mesas cheiinhas de povo,

Onde não falta o caldo verde e os rojões com as batatas;
Nem os grelos e as papas de sarrabulho,
Com os copos sempre pejados de vinho.

É o cortejo que arranca à meia-noite em ponto,
Fazendo rufar os bombos e as caixas pelas ruas da cidade.
É o povo que se junta para a festa

E, entre um copo e outro,
Aguarda entusiasticamente pelo erguer do Pinheiro.


Pinheiro
As Festas Nicolinas celebram-se na cidade de Guimarães, sendo que o Pinheiro marca o início destas festas, no dia 29 de Novembro.
Uma noite que se prolonga pela madrugada, onde os bombos e as caixas marcam o compasso até ao erguer do Pinheiro, ao lado da Igreja de Santos Passos.
Podem descobrir mais sobre as Festas Nicolinas em
http://www.nicolinas.pt/
. Apareçam!

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

"As vinhas da ira"

John Steinbeck já me tinha agradado no livro A Pérola e agora voltou a prender-me a atenção com As Vinhas da Ira.

As Vinhas da Ira, de John SteinbeckEm As Vinhas da Ira, Steinbeck conta-nos, em 543 páginas, a história da família Joad. Primeiro ficamos a conhecer o Tom Joad, que regressa a casa após ter estado preso. Depois Tom, na companhia do reverendo Jim Casy, leva-nos até à casa do tio John e aí ficamos a conhecer os restantes membros: os avôs, o velho Tom Joad e a mãe e os irmãos Noah, Al, Rosasharn, Ruthie e Winfield.
Tom encontra a sua família de partida para a Califórnia, pois foram expulsos das suas terras em Oklahoma e preparam-se para iniciar uma longa viagem à procura de terra para trabalhar e viver.
Na bagagem do camião levam o essencial. Para trás, cada um deles deixa uma vida cheia. Partem com a certeza que na Califórnia vão encontrar o que já não têm ali, em Oklahoma, mas os dias irão mostrar-lhes que a realidade é bem diferente dos sonhos.

«Somos apenas a raiva que sentimos quando nos expulsaram das nossas terras, quando o tractor derrubou as nossas casas. E assim seremos até à morte. Para a Califórnia ou para outra região qualquer – cada um de nós é um tambor a dirigir uma carga de amarguras, caminhando com a nossa desgraça.»

Steinbeck intercala a história dos Joads, com pequenos capítulos. Estes retratam a situação social da época na América. Com o êxodo rural, famílias inteiras vêem-se obrigadas a partir em busca de trabalho. E uma vez chegadas a outras regiões, vivem em acampamentos e deparam-se com a escassez ou a ausência do trabalho que tanto procuram.

«E nos acampamentos, a novidade corria em sussurro; em Shafter há trabalho. Então, de noite carregavam os carros e as estradas enchiam-se: era uma corrida para o trabalho, que se assemelhava à febre com que se corre para os terrenos auríferos. As pessoas chegavam aos magotes a Shafter; eram cinco vezes mais do que as necessárias. Era a corrida do ouro, mas para o trabalho. E, ao longo das estradas, estendia-se a tentação, as terras que garantiam a comida.»

A viagem dos Joads também não será fácil e a mãe irá tentar manter sempre a família unida, mas por força das circunstâncias não irá conseguir...
Treze pessoas partem num camião em busca de uma terra para trabalhar e para viver, mas ao longo do percurso alguns dos Joads vão ficando pelo caminho, ora porque não aguentam os desgostos, ora porque o destino assim o quis, e no fim, juntos, ficam apenas cinco.
Uma história de luta e de sonhos desfeitos.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Finland

Finlândia Finland: bubble

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Tallinn

Estónia Estonia: anneli65

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Moscow, St. Nicolas Church in Khamovniki

Rússia Russia: RossB

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

«Músicas do Mundo: América do Norte»

Concertos Promenade: Músicas do Mundo O Teatro das Figuras, em Faro realiza, no próximo Domingo, dia 15 de Novembro, às 12h00, mais um concerto do Ciclo de Concertos Promenade.

Músicas do Mundo
é o tema. Após a América do Sul, chega-nos a América do Norte, para podermos continuar a nossa viagem pelos cinco continentes.

«O continente americano sofreu a influência de muitos povos e das suas culturas, devido à colonização e à emigração. A música não foi excepção, e daí nasceram estilos como o jazz ou o blues. Neste concerto, entende-se como estes géneros se cruzaram com a música erudita e como a produção cinematográfica norte-americana enriqueceu o reportório clássico com as suas bandas sonoras, sempre com muita interacção com o público e várias surpresas à mistura.»

Depois de ter assistido, com grande expectativa, ao concerto da América do Sul, e ter simplesmente adorado toda a envolvência com que souberam prender e cativar o público, não podia deixar de destacar este ciclo aqui, no tons de azul. São concertos dirigidos para toda a família, com uma componente não só lúdica, como essencialmente educativa, pois as crianças são convidadas a levar os seus instrumentos de casa ou a criá-los no Hall do Teatro, para poderem participar com a orquestra, sempre que incentivadas pelo maestro.

O Ciclo de Concertos Promenade é, sem dúvida, uma iniciativa muito bem conseguida pela Orquestra do Algarve e pelo Teatro das Figuras.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

"O Deus da Matança"

O Deus da MatançaO Auditório Municipal de Olhão recebe, nos dias 13 e 14 de Novembro, às 21h30, a peça O Deus da Matança, de Yasmina Reza, com encenação de João Lourenço.
Em palco estarão os actores Joana Seixas, Paulo Pires, Sofia de Portugal e Sérgio Praia.

«A peça começa depois de dois rapazes, à saída da escola, terem andado à pancada. Um deles partiu dois dentes ao outro. Os pais encontram-se para falar sobre o incidente, mas, quando o começam a discutir a fundo, a situação torna-se cada vez mais tensa. Pequenas insinuações passam a ofensas verbais e físicas. E é assim que uma tarde entre pessoas civilizadas acaba de maneira inesperadamente pouco civilizada. »

Os bilhetes encontram-se à venda no Auditório Municipal de Olhão:
8€ (plateia) e 6€ (balcão).
Reservas: 289 710 170 (2.ª a 6.ª feira e dias de espectáculo, das 14h às 18h).

«Um espectáculo divertido e actual, onde dois casais de classe média alta mostram que, quando estala o verniz, são gente como toda a gente.»

Domingo, Novembro 01, 2009

A cor da morte

Coimbra: Ruínas de Conimbriga

“A morte docemente azulada como o não-ser. Porque o não-ser é um vazio infinito e porque o espaço vazio é azul, e não há nada de mais belo e apaziguador do que o azul. Não é de forma alguma por acaso que Novalis, poeta da morte, amava o azul e só o azul buscou nas suas viagens. A doçura da morte tem uma cor azul.”
«Os Anjos», in O livro do riso e do esquecimento, de Milan Kundera

Terça-feira, Outubro 27, 2009

«10.ª Festa do Cinema Francês», em Faro

10.ª Festa do Cinema FrancêsAmanhã, dia 28 de Outubro, chega à cidade de Faro, a 10.ª Festa do Cinema Francês. Depois de ter estado em Lisboa, Almada, Porto e Guimarães é chegada a vez de Faro receber no Teatro das Figuras, de 28 de Outubro a 1 de Novembro, esta festa do cinema francês.
Haverá sessões diárias às 19h30 e 21h45. A entrada é gratuita, mas é necessário levantar o bilhete no local das sessões. O programa poderá ser consultado em http://www.festadocinemafrances.com/.

Dos filmes em cartaz, optei apenas por dois: Pour un instant la liberté, de Arash T. Riahi e Le Premier jour du reste de ta vie, de Rémi Bezançon.
O primeiro narra a vida de dois jovens iranianos, Ali e Merdad, que fogem do Irão e vão à procura de uma vida melhor na Áustria e esperam também conseguir entregar os seus dois primos aos pais que se encontram aí como refugiados.
O segundo filme fala-nos de dias decisivos que marcam e podem mudar a nossa vida. Este conta a história de um casal que tem três filhos e mostra apenas «o primeiro dia do resto da vida de cada um dos membros da família.» E é olhando para estes cinco dias especiais que ficamos a conhecer esta família.

Estes dois filmes (e outros tantos) também irão passar no T.A.G.V. em Coimbra, de 4 a 10 de Novembro, pois esta será a última cidade a receber esta 10.ª festa.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

"Sem Destino"

Se tivesse mais tempo gostaria de dedicá-lo aqui, no tonsdeazul. O certo é que o tempo não estica e o pouco que tenho livre é passado, na maior parte das vezes, entre páginas de livros. Claro que depois gostaria de partilhar neste espaço, todos os livros lidos, mas isso também não me é possível. Assim sendo, o mês de Outubro é dedicado ao Nobel de 2002, Imre Kertész.

Sem Destino, de Imre KertészDescobri a escrita deste autor através do seu livro Sem Destino. O Holocausto é um tema que me prende na leitura. Perco a conta aos livros que tenho que retratam esta parte da História.

Em Sem Destino, Kertész podia-nos contar uma história igual a tantas outras, pois ele próprio também esteve nos campos de concentração de Auschwitz e de Buchenwald. O certo é que optou por não contar e é aí que se encontra a diferença desta história. Uma história que nos mostra o outro lado dos campos de concentração. O lado sombrio que nós tantas vezes ouvimos contar não deixa de estar lá, mas o outro sobressai e não nos deixa indiferentes.

Sem Destino conta-nos a história de Köves György, um jovem de quinze anos, que é separado da família e levado para os campos de extermínio de Auschwitz, Buchenwald e Zeitz. Permanece cativo durante um ano e meio e mais parece que esteve por lá uma vida inteira! Quando tudo acaba, o seu corpo mostra-lhe que já não é o de um rapaz de quinze anos e o seu interior o que lhe revela?!
Köves György não considera a sua condição traumática, mas vê-a antes como uma experiência igual a tantas outras. E é através desta perspectiva que ele nos narra o lado bom, e até feliz, da sua vida passada nos campos.

«Pois também lá, entre chaminés, nos intervalos do sofrimento, algo se assemelhava à felicidade. Toda a gente me pergunta só pelas vicissitudes, pelos «horrores»: todavia, no que me diz respeito, é talvez essa a experiência mais memorável. Sim, é disso, da felicidade dos campos de concentração, que eu lhes falarei na próxima vez, quando me perguntarem.
Se é que vão perguntar. E se eu próprio não me tiver esquecido.»

A história é narrada de uma forma suave e até chega a ser doce, e talvez por isso é que se torna tão perturbadora e chocante.
Não conto mais, porque estragaria a essência da descoberta. São 183 páginas que se escapam dos dedos num ápice e que valem bem pena percorrê-las.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

«E preciso da minha lucidez»

Coimbra: Quinta das lágrimas
«Sim, tudo é simples. São os homens que complicam as coisas. Que não nos contem histórias. Que não nos digam do condenado à morte: «Vai pagar a sua dívida à sociedade», mas: «Vai-se-lhe cortar a cabeça.» Isto parece não ser nada. Mas faz uma pequena diferença. E de resto há pessoas que preferem olhar o seu destino nos olhos.»
«Entre o sim e o não», in O Avesso e o Direito, de Albert Camus

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

[ horas de melancolia ]

Jardins de Versalhes
«No Outono caem as folhas das árvores, o céu é cinzento e toda a natureza vai adormecer, como dizem os poetas… […] As tardes eram de luz suave e triste, caía uma chuva leve sobre a fofa poeira da rua, chuva que fazia um sussurro abafado nas folhas amarelas, e tudo se repassava duma tristeza irremediável.»
«O Involuntário», in O Barão, de Branquinho da Fonseca