Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Trilho de Castelo Novo

Percurso: Pedestre 
Localização: Castelo Novo, Fundão
Distância aproximada: 1,5 km 
Duração aproximada: 1 hora 
Grau de dificuldade: Baixo

A freguesia de Castelo Novo era o nosso destino final. Depois daqui só mesmo o caminho de regresso a casa. Estava cumprido assim o objetivo de percorrer a rede de Aldeias Históricas de Portugal, tendo ficado apenas a aldeia de Linhares por visitar.

O passeio por Castelo Novo é bastante acessível. O percurso tem início no Largo da Bica, onde podemos começar logo por subir umas escadarias que nos encaminham para o Chafariz da Bica. Depois é seguir pelas ruas estreitas da aldeia e apreciar as casas em granito, uma referência tipicamente beirã. 


Já no Largo do Município encontra-se o Pelourinho manuelino e o Chafariz de D. João V do período barroco. 
A igreja da Misericórdia é outro local de passagem até chegar às ruínas do Castelo. Este ainda mantém a sua Torre de Menagem e parte da muralha. Uma vez aqui pode-se relaxar e observar a pequena povoação de caraterísticas medievais.
 







Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

“Conte-me a verdade”

«- Todos temos uma história. É como as famílias. Podemos não saber quem ela é, podemos tê-la perdido, mas ela existe na mesma. Podemos distanciar-nos ou virar-lhe as costas, mas não podemos dizer que a não temos. Acontece o mesmo com as histórias. Portanto - concluiu ela -, todos temos uma história. Quando é que me vai contar a sua?» 

Não sei o que poderei escrever sobre O Décimo Terceiro Conto de Diane Stterfield. Já tinha lido imensas opiniões positivas sobre o livro, mas o certo é que nunca o cheguei a comprar. Com a nova edição da editora Marcador acabei por o trazer para casa e devo dizer que a capa teve quase toda a culpa. Gosto muito mais desta do que da anterior, confesso. No entanto, lamento que esta reedição não tivesse merecido uma atenção na parte de revisão. A obra tem gralhas em demasia e era escusado para um romance feito à medida dos «verdadeiros amantes dos livros».

A história de O Décimo Terceiro Conto é deveras uma história que nos envolve e absorve desde as primeiras até às últimas páginas. A jovem alfarrabista e biógrafa, Margaret Lea e a escritora famosa, Vida Winter, são as personagens centrais desta história. Só que «todos temos uma história», por isso todos os outros personagens merecem também uma atenção e, quem fica a ganhar é o leitor, pois no final não fica a magicar, nem a questionar - “mas então e a história daquele como é que terminou?” 

A narrativa começa com Margaret a receber uma carta de Vida Winter, convidando-a para escrever a sua biografia. A famosa escritora encontra-se na fase final da sua vida e não quer partir sem contar a verdade sobre a sua história, que sempre fez questão de esconder. Apesar de reticente, Margaret acaba por viajar até ao condado de Yorkshire para se encontrar com Vida. Já instalada na casa de campo da escritora, Margaret decide aceitar a proposta. E para que a história faça sentido, há que ter um princípio, meio e fim. Assim, começamos a desvendar os mistérios que envolvem a família Angelfield pelo princípio e sem hipótese de fazermos batota. A cada página que esfolhamos, é-nos dado a conhecer outros personagens, como o George e a Mathilde, a Isabelle e o Charlie, as gémeas Adeline e Emmeline, a Missus, o John-da-enxada, a Hester e o Ambrose, o Aurelius e a Mrs. Love, a Karen, o Tom e a Emma. E quanto mais sabemos, mais intrigados ficamos e mais queremos saber e, menos queremos deixar para descobrir no dia seguinte. 

Para além do mistério sobre o passado de Vida Winter, existe também uma outra curiosidade que todos os fãs dos seus livros querem descobrir. Treze Contos é a primeira obra da escritora, mas na realidade o livro só tem doze contos. Por isso, nas edições seguintes a obra é editada com o título Contos de Mudança e Desespero. O que aconteceu ao décimo terceiro conto?  

Quando disse que não sabia o que poderia escrever sobre O Décimo Terceiro Conto, queria simplesmente dizer que não queria revelar-vos demasiado desta história cheia de histórias, porque este é um livro que merece ser despido, página a página, pelo leitor.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Lenda de Almorolon

Castelo de Almourol, Vila Nova da Barquinha

Ao que parece o castelo de Almourol tinha como senhor, no século XII, um emir árabe que se chamava Almorolon e dizem que foi assim que o castelo ficou-lhe com o nome. 


Ora o mouro Almorolon tinha uma filha formosa, que um dia ao passear pelas redondezas se apaixonou por um galante cavaleiro cristão. A partir desse dia, o coração da bela donzela ficou fechado para tudo, pois já só tinha lugar para o seu amor. Como a vontade de estar perto do seu amado era maior, do que o medo de ser descoberta, a jovem formosa não achou mal revelar-lhe como poderia entrar no castelo durante a noite. 

Só que o jovem cavaleiro não sofria do mesmo mal de amor e por isso aproveitou a confidência da jovem para engendrar uma emboscada. Assim, numa noite introduziu-se no castelo e abriu as portas aos seus companheiros, que já estavam prontos para a guerra. Claro que apanhado de surpresa, o inimigo não teve salvação e o castelo foi conquistado. 

A jovem ao aperceber-se da sua ingenuidade acorreu para o pai e contou-lhe toda a sua culpa. Como Almorolon tinha um amor enorme pela filha, acabou por perdoar-lhe. E sabendo que não poderia escapar, o árabe abraçou a sua filha adorada e juntos lançaram-se das altas muralhas. Ele porque preferia a morte ao cativeiro. Ela porque tinha sido cruelmente atraiçoada pelo seu amado.

Sábado, 12 de Maio de 2012

"a luz de presença"

Starfisher, Pete Revonkorpi, Finlândia

«quem dera o trampolim dos teus braços para com céu tocar o tecto


vesti esta manhã a lona que levávamos para o campismo


quando ainda fazíamos furos na terra para montar a tenda


quem dera o sulco das rugas e os feriados apertados entre os fins e a semana


dá-me as certezas

não durmo sem as certezas
sabe-me o nome para sempre      está bem?

o meu nome para sempre que eu prometo que não mudo para te dar razão


[...]


às vezes


de cabeça amortecida no teu umbigo


ponho-me a imaginar


de olhos fechados na tua roupa


o escuro que vai ficar


e durmo com a luz acesa para compensar o que por aí vem»


[...]

O Amor és tu, João Negreiros

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

"Os animais são todos iguais"

Brave, Robert Dunn, Reino Unido

«As suas vidas eram duras, é certo, e nem todos os seus sonhos se haviam realizado, mas tinham consciência de que eram diferentes dos outros animais. Se passavam fome, não era por alimentarem seres humanos tirânicos; se trabalhavam arduamente, ao menos trabalhavam para seu próprio benefício. Não havia entre eles nenhuma criatura que caminhasse sobre duas pernas. Nenhum deles tratava outro por «Meu amo». Todos os animais eram iguais.»
A Quinta dos Animais, George Orwell

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